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terça-feira, 13 de março de 2012

A (des)parábola do filho pródigo

Ontem eu fui num prostíbulo
fiz amor até a aurora
Mas a moça não queria
que eu fosse mais embora

Mas eu tinha que ir embora
pois minha mãe me ligava
tocava o meu Nokia
estava tão desesperada.

Só depois que eu saí
Da casa da luz vermelha
Foi então que eu percebi
“Que nada a ver. Nem tem luz vermelha naquela casa da luz vermelha”

Aí eu liguei pra mãe
pra saber o que ela queria
Ela falou o que queria
e atrás meu pai só ria

Atrás o meu pai só ria
sua barriga doía
Atrás o meu pai só ria
do Paulinho Mixaria.

Minha mãe então chorou
um problema que era lógico
Eu ouvi bastante atento
como um filho que sou pródigo

Mãe, tô indo!
Não era pra abrir uma lata
Nem conta de fim de mês
Não era pra matar barata
Nem mais uma gravidez.

Não era pra eu ir rezar
Não era o meu boletim
Não era pra eu ensinar
Todos os golpes do Dhalsim

Quando eu cheguei em casa
Fui logo falar com a mãe
O que eu disse a animou
E pra mim preparou um nescau com pãe

“Mãe querida, minha linda
Em Canoinhas semo em sete
E só eu foi o que prestou
pra te ensinar a ligar o videocassete”.

2 comentários:

Guara disse...

Ótimo!
Retrato fiel da experiência que vive milhões de jovens brasileiros.
10.
Um abraço.

Caroline Signori disse...

rsssss.
muito boa!
Fazia tempo q nao vinha fazer uma visita na sua página... como sempre fico rindo sozinha :D
Abraços