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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O flagelo de Stephen Hawking

Mario era um rapaz vidrado em ficção científica e cultura pop. Sua predileção por temas ligados à viagem no tempo e suas conseqüências futuras/passadas era o que movia a sua juventude.

Sua mãe achava uma graça quando ele se trancava no quarto e passava madrugadas inteiras decorando as falas dos três De Volta para o Futuro, e lendo obras como O Guia do Mochileiro das Galáxias e O Parque dos Dinossauros, cuja Teoria do Caos e o efeito borboleta - presentes nos livros - o fascinavam.

Certa feita, após uma tarde acompanhado do bom e velho Stephen Hawking – que provou ser possível viajar no tempo teoricamente, mas ao mesmo tempo provou ser impossível tal feitio na prática - Mario resolveu testar.
- Será a prova derradeira da possibilidade, ou não, das viagens no tempo. - gabou-se.

Não é possível! E tenho dito...

Mario correu até a lan house mais próxima, alongou os dedos de forma contínua e acessou sua conta de e-mail.

Fechou os olhos, pensou um pouco e até deixou escorrer uma lágrima de emoção ao imaginar o gigantesco passo que a humanidade estaria prestes a dar, tudo graças a sua ideia genial.

Escreveu o seguinte:

“Caro Mario do futuro. Se, Deus me livre, Stephen Hawking estiver errado, a viagem no tempo é possível de se realizar na prática. Portanto, façamos o seguinte: no dia 4 de maio, que é hoje, às 13h51, que é daqui a dois minutos, entre na cabine 8 da lan house da avenida dos Expedicionários, 54, que é onde estou agora, pouse a mão sobre meu ombro e me diga algumas palavras de conforto sobre o meu futuro.
Ficarei grato em ver como estarei. E tenho a plena certeza de que você gostará de se relembrar ao olhar para mim.

Ass: Mario do passado.”

Ao clicar em “Enviar”, a mensagem mal chegara em sua própria caixa de e-mails quando Mario sentiu uma mão em seu ombro. Gelou a espinha. Novamente uma lágrima escorreu em seu rosto.
Virou-se e o que viu foi um senhor calvo de pele enrugada, que abriu a boca e disse: “Você é um idiota!”

O velho se virou e saiu da lan house.

Chorando, após ouvir a ofensa, Mario enviou outro e-mail para si: “Eu te odeio!”, e correu para casa, onde se trancou no quarto junto de seus livros, arrependido do que fez.

Apesar da consciência de que a autoflagelação é a perversidade mais dolorida dos homens, preferiu a dor de ser ofendido por um Mario do futuro que a dor de descobrir que Stephen Hawking estava errado.

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