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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Como o “i” salvou François dos italianos

Enquanto dois garotos brincavam na lama, um flautista tocava uma bela canção na floresta, um príncipe era coroado rei e uma mulher era queimada viva a mando do Papa, um jovem chamado François du Cavalier era abordado pela guarda real italiana.

- Quem é você? - perguntou o Guarda Um.
- François.

Os dois guardas da frente se entreolharam.

- Você está preso!
- Mas o que eu fiz?
- Está tentando entrar na Itália, e nenhum francês pode entrar na Itália!
- E por quê?
- Porque os franceses fedem.

O Guarda Dois se intrometeu.
- Não, não é por isso. É porque a Itália está em guerra com a França!
- Eu não sabia disso.
- Não sabia que a Itália está em guerra com a França?
- Não. Não sabia que os franceses fedem.
- Então cheire o seu sovaco.

François du Cavalier levantou o braço esquerdo e cheirou. Quase desmaiou.
- Mas deixe-me entrar na Itália, por favor!
- Não! E você está preso!
- Só por que estou fedendo?
- Não! Porque a Itália está em guerra com a França, já lhe disse!
- E como vocês sabem que eu sou francês?
- Porque você fede.
- Mas você também fede!
- Não fedo, não.

O Guarda Dois olhou para o Guarda Um e concordou com o francês.
- Mas é que é inverno. – o guarda tentou se justificar. - É difícil tomar banho no inverno...
- Então estamos quites, posso passar? - perguntou François.
- Não! Você é francês!
- Como sabe?
- Seu sobrenome é Cavalier.
- Ah, só por causa disso?
- É um sobrenome bastante francês, não?
- Mas é que o padre que me batizou estava com pressa. E vocês sabem como são esses padres né? O que me batizou estava com pressa de escrever a certidão de nascimento e começar a certidão de óbito de uma bruxa que seria queimada, e esqueceu do “i”.
- Que “i”?
- Do meu sobrenome.
- O “i” em Cavalier?
- Sim, ele esqueceu do segundo “i”.
- E onde estaria esse segundo “i”?
- No final. Meu sobrenome, na verdade, é Cavalieri.
- Cavalieri? Hum, um sobrenome bem italiano.
- Exatamente. Apesar de estar fedendo, não sou francês. Sou italiano.

Os guardas se afastaram e deram espaço para François, que a essa hora já teria trocado seu nome para Giuseppe, se fosse preciso. Tudo para não se meter em uma discussão.
- Você é bem vindo, pode passar! – disse o guarda.

François estufou o peito francês e passou. Há uns quatro metros adiante, olhou para trás e deu um breve sorriso de satisfação.
Enquanto isso, a coragem dos franceses em enfrentar seus inimigos escorria pelo ralo, e virou no que é hoje...

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