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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Depoimento verdadeiro de um usuário de drogas

Eu sou viciado em drogas.
Estou limpo há cinco meses.

A minha história começou com a cerveja. Eu ia no barzinho com os amigos e bebia socialmente, até que comecei a morar sozinho. Aí, como eu mesmo tinha que fazer meu almoço, eu aproveitava e bebia uma cerveja também.
Era uma cerveja por dia, sempre na hora do almoço.
Como eu vivia sozinho, comecei a fumar cigarro para suprir essa carência. O cigarro fazia o papel de uma companheira. Porque eu preciiiiso de uma companheira.

Do cigarro para a maconha foi um pulo. Comecei a fumar com os amigos, só para dar risada. Eu dava muita risada. Pudera, a maconha que eu fumava contava ótimas piadas, ela até chegou a fazer stand-up, sem sucesso.
Da maconha para a cocaína foi um pulo.
Da cocaína para o crack foi um pulo. E o crack quebrou minhas pernas, literalmente, pois tive que fugir da polícia uma vez e, como eu disse antes, foi um pulo. Um pulo do segundo andar da minha casa.

Comecei a procurar drogas mais pesadas, e passei a ouvir música sertaneja. Era eu e o Bruno e Marrone, sozinhos em casa.
De repente, me vi no fundo do poço. Passava horas e horas ao lado de Michel Teló e Fernando e Sorocaba. A droga que eu mais consumia era aquela em que eles tentam trazer Madrid para São Paulo, ou algo assim.
Um dia, eu estava vestindo a camisa do Corinthians, assistindo Zorra Total e com um autógrafo do Marcelo Camelo na mão. Era muita droga me consumindo.

Mas que droga!

Nunca me passou pela cabeça que naquela mesma noite eu seria salvo.

Naquela noite, uma luz adentrou o meu quarto, e dela, saiu um cabeludo, que me encontrou em estado vegetativo, babando e pronto para dar o play no CD do Restart.

Esse cabeludo que entrou em meu quarto, fui saber depois, costumava tirar as pessoas do fundo do poço.

Foi então que ele estendeu sua mão, olhou fundo em meus olhos e disse: “Sou o Evangelista Hetfield. Venha comigo!” (WHIPLASH 6, 21-25)
Ele apontou para a televisão e ela se ligou sozinha. Um comercial começou a passar e um alívio tomou conta do meu corpo, foi aí que eu entendi que estava salvo: o Rock in Rio estava de volta ao Brasil.

Um comentário:

custela disse...

hahahaha... michel teló é caso de internação perpétua... santo rock in rio, hein