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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Cenas de um jornalismo comilão

Desde tempos imemoráveis eu sou magro.
Já falaram que eu sou magro de ruim, porque eu como mais do que um cara que come bastante.

Este post é um desabafo sobre a minha condição de comilão.
Sim, este vareta que vos fala é um comilão de marca maior. Meus colegas de jornal que o digam.
Tenho cobrido muitos eventos sociais, jantares e coquetéis, conhecido pessoas legais, gente bonita e tal.
A vida está indo, conforme as escrituras.

Na terça-feira, dia 1º, fui cobrir a comemoração dos 50 anos de uma escola daqui. Coisa fina!
Na semana anterior eu tinha cobrido uma formatura de um colégio particular, onde serviram tanto salgadinho que eu não consegui dormir de tanto que minha barriga estava estufada.

Aí pensei "Massa! Se em uma formatura tinha vários salgadinhos, então numa festa de 50 anos, vai ter bolo!".

Dito e feito!

Cheguei lá e, logo na entrada, vi um imenso bolo. "Hum, delícia!"

Aí evento vai, evento vem, homenagens e mais homenagens, eu tirando fotos de tudo. Das professoras, dos alunos, das alunas... Nunca tinha visto tanto olho verde em um só lugar.
Fiz as entrevistas de praxe. Mas em certo momento, a festa começou a ficar maçante.
Era diretora falando pra cá, professora falando pra lá. E eu ali, esperando a festa acabar para pegar um pedaço daquele delicioso bolo.

Cheguei no recinto às 19h30. Olhei no relógio e já eram 21h00.
Pô, que evento demorado. Minha barriga roncava milhões de roncos.
21h30. Um professor e duas alunas cantavam alegremente o hino da escola. E eu lá, parado, em pé, esperando a hora de atacar o bolo.

Eu só tinha olhos para o bolo. Nem aluna, nem professora alguma me faria tirar os olhos do bolo.
Quer dizer, uma professora, que mais parecia uma bonequinha, me tirou do sério... mas tudo bem
Se bem que uma aluna também...

Mas o bolo era ainda melhor. Porque o bolo não tinha braços para me dar um tapa na cara, no caso de uma cantada mais boba.

22h50. Um sonoro e uníssono Parabéns pra você terminou em choradeira o evento. Finalmente um pedaço do bolo seria meu. Ah, eu já estava lambendo os beiços.
Olha para o bolo, olhava para todo mundo se abraçando.

Todo mundo se abraçando e ninguém preocupado com o bolo.

"Bom, vai sobrar mais bolo pra mim!", eu pensava.
Mas aquela imagem do pessoal nem aí pro bolo me incomodava. Se bem que o único esfomeado ali era eu.
Morar sozinho é fogo!
Aí não aguentei e fui em direção ao bolo. Passei por uma pequena mesa, peguei prato e uma colher.

Prato numa mão e colher na outra, pronto para espetar um pedaço e tacar dentro da boca.
A expectativa aumentava. O sangue fervia. A adrenalina subia. As mãos tremiam.

Me senti o espertão. Cheguei perto do bolo. Uns3 metros, mais ou menos.
Finalmente, o grande motivo para eu ter ficado quatro horas ouvindo discursos de professores que eu nunca vi na vida, era só meu!

Respirei fundo e enfiei o garfo. O bolo era de isopor. Olhei em minhas mãos, e nada de prato, nem de garfo.
Era tudo miragem.

4 comentários:

Rui Morel Carneiro disse...

Ahahahahahahahah!
e mais ahahahah!
e mais um pouco de ahahah.
Muito bom.

Michele Mitsue disse...

Quando trabalhava com assessoria, engordei 6 quilos. Eu era magra pra cacete. Foi então que entendi o porquê dos políticos serem gordos, na sua maioria.
Não quero aterrorizar, mas cuidado, essas festinhas incrementam os números na balança. Abs!

Graci disse...

Finitooo! Vc definitivamente conquistou meu posto aí nas Canoas. Que saudade dos salgadinhos do Doces e Fricotes, aiaiai...
Por nada nesse mundo perde a festiva do Rotary. Serão três horas de discurso, mas compensa, sem miragens, hahaha

Graci disse...
Este comentário foi removido pelo autor.