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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Fiscal da Polícia Nominal do Estado

Uma senhora está lavando a calçada de sua casa, quando um homem de terno e gravata e prancheta na mão toca a campainha.
- Boa noite, madame. Eu sou fiscal da Polícia Nominal do Estado, e gostaria de falar com a Dona Maria da Graça.
- Sou eu.

O homem marca algo na prancheta.
- Maria da Graça... Hum... Podemos começar?
- Começar o quê?
- Hum... Não, não teve graça.
- Não teve graça o quê?
- Vamos começar de novo.
- Começar o quê, meu senhor?
- Por favor, conte uma piada.
- Mas eu não estou entendendo nada do que o senhor está falando...
- Senhora, não se faça de burra.
- Mas quem é você?
- Eu sou fiscal da Polícia Nominal do Estado.
- Você me já falou isso! Eu quero saber o que você quer!
- Eu gostaria de falar com a Dona Maria da Graça.
- Sou eu!

- D. Maria da Graça? Então conte uma piada engraçada!

- Por favor, Dona Maria, conte uma piada.
- Eu não vou contar uma piada!
- A senhora precisa contar uma piada!
- Por quê?
- Porque eu preciso avaliar o seu desempenho.
- Desempenho em quê, meu senhor? Eu não estou entendendo...
- A senhora não é a primeira pessoa que eu visito que se faz de sonsa... Como não está entendendo? Todo mundo que está lendo isto aqui agora está entendendo! É o seguinte, Dona Maria, o seu nome é Maria da graça, certo? Então, foi por isso que eu vim. Eu vim pra saber se a senhora realmente tem graça. Foi por isso que eu pedi para a senhora contar uma piada.
- Mas e se eu não contar uma piada?
- Ai eu sinto muito, porque a senhora vai perder o seu nome.
- Só porque eu não quis contar uma piada?
- É. Uma piada, um chiste, uma troça, depende de como você quiser chamar...
- Mas eu não quero perder o meu nome, eu adoro ele.
- Mas então conte uma piada!
- Uma piada, um chiste ou uma troça?
- Tanto faz! Se a senhora não contar uma piada, um chiste ou uma troça engraçada vou ter que cancelar o registro de nascimento. Só assim eu vou poder saber que a senhora realmente tem graça, e então vai poder usar o nome Maria da Graça!
- Ah, é disso que se trata, então?
- É, entendeu agora?
- Entendi. Mas, policial... A palavra graça não significa somente “engraçado”.
- Significa o que, então?
- A graça do meu nome é porque minha mãe recebeu uma graça de Nossa Senhora.
- Uma graça tipo “hahaha”?
- Não, senhor policialzinho. Graça não quer dizer só “engraçado”. Lembra?
- Ah, é mesmo. Então a senhora não sabe contar uma piada engraçada porque a graça do seu nome é a graça de Nossa Senhora?
- Isso mesmo! E tem outra!
- Outra o que? – pergunta o policial.
- Quando você fala que uma menina é uma graça, você ta querendo dizer que ela é engraçada?
- Pois olha, nunca pensei nisso. A senhora fala tão bonito que eu to perdendo a graça. Oh!
- Aí, viu?
- Senhora, mesmo não dizendo uma piada engraçada, a senhora não vai perder o seu registro de nascimento.
- Ah, muito obrigada. Posso voltar pra dentro, já?
- Não, a senhora tem que pagar!
- Pagar o quê?
- A senhora tem que pagar a visita!
- Ah, quer saber? Faz de graça! Ahahahaha!