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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Apenas uma incursão pelo maravilhoso mundo do jornalismo policial

Já dizia o grande sábio: “Às vezes temos de fazer mais coisas do que estamos acostumados”.
Logo depois dele ter dito isso, seu diploma de sábio foi cassado, pois nenhum sábio seria tolo o suficiente para dizer tamanha idiotice.

Mas o certo é que realmente temos de fazer mais coisas do que estamos acostumados, e quando se trabalha em um jornal, essas coisas são multiplicadas por 2. Às vezes chegam à nona potência.

Estávamos tranqüilos, escrevendo nossas matérias tranqüilas, numa cidade mais tranqüila do que uma cidade que é bastante tranqüila, quando, de repente, recebemos um telefonema da polícia civil dizendo que tinham acabado de prender o bandido mais procurado da região.

“Pegaram o bin Laden!”, pensei.

“Finito, vá lá e faça uma foto do meliante”, disse o editor-chefe.

Nota da redação: Ele não disse a palavra meliante, mas assim a minha história fica mais misteriosa.

Peguei a máquina, o bloquinho, a caneta e fui até a delegacia fazer as tais fotos.
Cheguei lá e fui falar diretamente com o delegado. Peguei algumas informações sobre o bandido, o motivo de ser mais procurado que o Wally e muitas outras coisas. Aí falei: “Agora preciso tirar umas fotos dele, pode ser?”

O delegado mandou um policial ir buscar o meliante. E assim o fez.
Eu fiquei sentadinho bonitinho ouvindo o barulho das trancas e portões e grades de ferro abrindo e se fechando.

De repente, eis que o policial aparece com o homem algemado. Me senti o próprio Gil Gomes.
Eu queria ter entrevistado o ladrão. Perguntaria coisas do tipo:

“Foi você, né vagabundo?”
“Fala agora, seu ladrão de merda!”
“Quero ver ser homem agora!”

Mas, como meu pai me ensinou a pensar bastante antes de fazer alguma coisa, achei melhor deixar a minha fala para lá e ficar quietinho no meu canto.
O policial deixou o rapaz bem na frente do símbolo de polícia civil, e ele ficou lá, me olhando.
Quando eu me preparei para tirar a foto, ele disse: “Ah, não!” e se virou.
Os policiais começaram a dar risada e, aquela fala que eu queria dizer ali em cima, foram todas ditas pelos policiais. Me safei dessa!
O mesmo policial que foi buscar o rapaz puxou ele de frente e levantou a sua cabeça.
Eu aprontei a máquina e...

Nada!

Ela não ligava. Estava sem pilha.
Fiquei com vergonha do delegado.
Olhei para os quatro pontos cardeais. Cheguei ao cúmulo de inventar mais uns trinta só para desviar o olhar dos policiais.
Fiquei mais vermelho que a bandeira do Brasil quando alguém derruba tinta vermelha nela.
O delegado viu meu desespero e disse: “A gente tem pilha aqui”. Foi lá, pegou duas pilhas e me trouxe.
Coloquei-as na máquina e tirei as tais fotos. Mesmo com o meliante cabisbaixo.
Ele estava triste, tadinho...

Quando a tristeza bate, a pessoa não quer nem doce...

Depois, peguei mais algumas informações com o delegado e corri para o jornal, afim de jogar a matéria no site o mais rápido possível.

Ufa! Tinha dado tudo certo.
Uma meia-hora depois, eu já estava me preparando para almoçar, quando o telefone toca.

“Alô, aqui é da delegacia da polícia civil, você ficou com as nossas pilhas. Precisamos delas!”

Corri para a delegacia. Foi aí que me contaram que eles estavam prontos para fazer uma operação policial, prender uns bandidos e tal, e precisavam das pilhas que estavam comigo para colocar nas pistolas, porque elas não estavam funcionando...

2 comentários:

Dani Brito disse...

Cara, você é MUITO engraçado.

"fiquei mais vermelho do que a bandeira do Brasil (eu, jumenta, pensei: caraca ele tá louco, vermelho na bandeira do BR?)...quando derrubam tinta vermelha nela" kkkkkkkkkkkkk eu morri!

Ana disse...

Cadê a foto?