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sábado, 25 de julho de 2009

O esdrúxulo diálogo entre Pelipe e D. Leopolda

- Então, mãe... Quando eu estiver no show, curtindo o som daquela banda maravilhosa, a senhora faz o favor de dar comida para o Salso, tá? - pediu o garoto.
- Para quem? - perguntou a mulher.
- O Salso.
- E quem é o Salso? - perguntou novamente.
- É aquele bicho ali! - Pelipe apontou para um bicho estranho que fazia um barulho bem mais estranho num canto da cozinha.
- Isso aí é o Salso? - perguntou a mulher.
- Brekeke. - fez o Salso.
- É sim! Foi a senhora quem comprou ele pra mim... A senhora se lembra do que não pode, né? - perguntou Pelipe, numa mistura de carinho e cansaço.
- Ai, filho. Estou tão esquecida ultimamente...
- Olha, são duas coisas que não pode fazer. Número um: não dar comida pra ele depois da meia-noite e, número dois: não dar água. Entendeu? - explicou Pelipe.
- Ah, sim! Agora eu me lembrei. Pode deixar que eu dou comida pra ele só depois da meia-noite e também dou bastante água.
- Não, mãe. A senhora não entendeu. NÃO pode dar comida depois da meia-noite.
- Só água, né?
- Água, não!
- Nem depois da meia-noite?
- Não! Nem depois, nem antes!
- O que?
- A água! Água você NÃO pode dar pra ele...
- Ah, tá!
- Bom, então vou indo.

Quando Pelipe, exausto de tanta explicação, achou que já estava tudo certo, deu as costas e saiu. Eis que sua mãe tirou os óculos, coçou a cabeça e o chamou novamente.
- Filho, só não entendi uma coisa...
- O quê, mãe querida?
- É pra eu dar água só depois da meia-noite ou é a comida?
- É a comida que você NÃO pode dar depois da meia-noite.
- E a água? Pode ser gelada ou tem que ser da torneira?
- Nenhum dos dois. Água você não pode dar!
- Por quê?
- Porque senão ele morre.
- Quem?
- O Salso.
- Quem é o Salso?
- Brekeke. - brekekeou o Salso.
- Ai, mãe. É aquele bicho ali. - Pelipe apontou novamente para o bicho, agora encolhido e tentando não ouvir as besteiras que a mulher tanto falava.
- E o que tem ele?
- Ele morre se você der água e comida depois da meia-noite!
- Nem um pouquinho?
- Não, mãe. Olha, eu estou indo para o show. A senhora entendeu, não é?

Nesse momento, os neurônios do cérebro de D. Leopolda estavam funcionando tanto quanto a prefeitura da cidade.
- Entendi. Pode ir trabalhar nessa tal metalúrgica que eu cuido dele. - disse D. Leopolda, enquanto tentava pegar Salso no colo.

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Esse diálogo faz parte de "A esdrúxula epopéia de Pelipe e D. Leopolda", de Finito Carneiro. Uma história muito linda, emocionante, engraçada e sem noção sobre um desencontro que aconteceu de uma forma muito idiota.


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Um comentário:

Rei disse...

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