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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os blogueiros também choram!

Em meados de 2004, meu irmão do meio partiu rumo ao desconhecido. Rumo à bucólica Londres.
Para tal, ele contou com a ajuda de todos os familiares, inclu
sive, na hora de levá-lo até Londrina, cujo vôo internacional sairia de lá.

Vejam só, querido(a) leitor(a), de Londrina para Londres. Não é legal isso?

Meus dois irmãos, meu pai e eu no segundo andar do aeroporto, esperando o avião chegar para ele embarcar. Conversa vai, conversa vem, tudo nos conformes... Até que o avião chegou.

Foi legal presenciar aquele trambolhão da TAM aterrissando na enorme pista do aeroporto. Santos Dumont era um gênio mesmo!
Começamos a descer pela escada rolante, quando, de repente, senti aquele aperto na garganta. Na hora eu pensei: "Ah, não. Isso não!" e continuamo
s descendo.
A voz começou a anunciar a chegada do vôo. Isso significava que era hora de partir.
Meu irmão do meio deu um abraço forte no meu irmão mais velho, outro no meu pai e eu senti aquele troço na garganta novamente. Virei-me para disfarçar e, quando me virei de volta, meu irmão veio de braços abertos e me abraçou. Nesse momento eu não aguentei: abracei-o fortemente e desabei a chorar. Foi a primeira demonstração pública de meus prantos, em pleno horário comercial.


Dois anos depois, estávamos comemorando o casamento do meu irmão mais velho.
Os convidados, o pastor da igreja dele, a daminha de honra, as testemunhas, enfim, estavam todos lá, com tudo o que tinha direito.
O casamento aconteceu na casa dos pais da noiva, onde seria, também, a festa. Todos acharam lindo, o pastor falou mais que o homem da cobra, a daminha levou as alianças, eu tirei várias fotos, os noivos se beijaram, enfim, tudo tranquilo.

Ao final do casamento, quando todos aplaudiram os noivos e aquela coisa toda, começaram os abraços. De repente, senti um nó na garganta. Pensei: "Ah, não. Aqui não!", e engoli em seco.
Fiquei no meu canto tirando mais fotos, e a galera se abraçando. Aquele troço na minha garganta apareceu novamente. Desliguei a câmera e me virei de costas, a fim de acalmar meus ânimos. Quando virei-me, novamente, vi meu irmão mais velho de braços abertos vindo em minha direção. Nesse momento eu não aguentei: abracei-o fortemente e desabei a chorar. Foi a segunda demonstração pública de meus prantos, em pleno sábado.

E, por falar em sábado, neste que se passou foi o casamento do meu irmão do meio. Aquele que estava em Londres, lembram?

Eu fui convocado pela noiva a dizer algumas palavras sobre o amor, mais precisamente, um trecho da Bíblia (I Coríntios 13). Aquele que Renato Russo musicou em "Monte Castelo":



Horas e horas de ensaio em casa, trancafiado em meu quarto, e já estava tudo em ordem. Eu daria o melhor de mim e falaria com a minha voz de Cid Moreira. Vai que um convidado tivesse uma rádio e estivesse procurando por um locutor, né?! Vai saber...

Também fui incumbido de ir buscar a noiva no salão e levá-la à igreja. Baita responsa!
E assim foi feito. O casório marcado para as 18h30, e as 17h50 eu e minha namorada chegamos ao salão. Ficamos na sala de espera lendo gibi, quando, uns vinte minutos depois, a cabeleireira pediu para eu colocar a bolsa da noiva no carro. Peguei a bolsa e dei uma espiadinha para ver como ela estava. Quando vi a noiva, emocionada, meu olhos marejaram.

Senti aquele nó na garganta mas pensei: "Ih, nada a ver isso agora". E fomos pra igreja.
Chegando lá, eu e minha namorada entramos pela lateral e a noiva se preparou para entrar.
Os padrinhos entraram e o noivo também, ao som de Guilherme Arantes. Até aí tudo bem.

A marcha nupcial começou e a noiva entrou. O padre começou a cerimônia e, uns cinco minutos depois, fui chamado para o púlpito. Levantei-me, peguei minha pastinha e fui, tranquilo, leve e sabendo de minha responsabilidade.
Abri minha pastinha, tirei a folha e arrumei o microfone. Tossi um pouco. Tossi outro pouco.

O texto começava assim:

"Assim é o amor.
Ainda que eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos..."

Segurei a folha com a mão direita e abri a boca:

"Assim é o amor." Daí olhei para os noivos e continuei:

"..."

Aquele nó na garganta apertava cada vez mais.

"Ainda que eu falasse...", não aguentei e desabei. Foi a terceira demonstração pública de meus dotes lacrimais. Fiquei sem conseguir falar por uns dois minutos. Minha voz afinou, aquela coisa toda... Mas aí, consegui recuperar-me e segui em frente. Fiz a minha parte.

Desci do púlpito cabisbaixo e indignado com a minha atuação. Foi quando levantei a cabeça e vi meus pais chorando, os pais da noiva chorando, meus tios chorando, vários convidados chorando... Foi uma choradeira benigna, muito confortante. Minha namorada disse que não olhou pra mim, senão ela também desabaria.

Com o fim da cerimônia, fomos todos para a festa.
Lá, todos os convidados vinham falar para mim que acharam muito bonito o que eu fiz lá em cima, e que foi a demonstração de amor mais bonita que já tinham visto.

Sim, porque para falar de amor, tem de o estar sentindo.

(Vou parar agora mesmo porque estou sentindo o bom e velho nó na garganta...)

10 comentários:

Tiozaum disse...

Que bonitinho Finito!

Parabéns para o seu irmão.

To com saudades de vc :(

Abraço kara!

Tatiana Lazzarotto disse...

Meu Jesus amado, até eu senti o meu nó na garganta aqui.
Estive em uma dessas situações e, acredte, meus olhos tb marejaram com vcs.
Beijo

custela disse...

hehe
lembrei da laura, do carrossel:
isso é tão sentimental
abraço, meu filho

Renê disse...

Meu Sobrinho, se eu estivesse lá, choraria também, pois aqui, na distância, derramei umas lágrimas com teu relato.
"Os Finitos também amam...e choram...buááááá."

Michele Matos disse...

Ah...eu choro...só de imaginar cenas emocionantes...aprendi a chorar aqui em Guarapuava.
Que nó na garganta imaginar vc lendo...=/

Camila Reginato disse...

So tenho um que dizer "coisa"
pq so isso chega perto de definir o NÓ e o aperto no peito ;/

Octávio Rossi disse...

Caráleo.... no começo achei que você ia falar do nó da gravata! Fiquei um pouco decepcionado, mas tudo bem.
Como diria o Marcos... "ainda bem que o Sappo não chorou, senão tudo aqui estaria alagado!"

Esileda disse...

Só de ler seu relato, os olhos marejam...imaginar-se na mesma situação então!
buáaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
;o)

Anônimo disse...

Chorar não é vergonha, é uma dádiva porque demonstra sentimento verdadeiro.
Ah! Aqui em casa tem uma pessoa que chora até em inauguração de imóvel. KKKKKKKK
Leni Xavier

Leila disse...

O comentário da Leni Ganhou!!
\o/
Imagina Fábio e Thiago juntos, não haveria lenços o suficiente pros dois...