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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

E assim, Spielberg estragou um clássico...

Dias atrás fui a um sebo, no centro da cidade. Levei várias revistas, gibis e, como eu não topo a música sertaneja, um cd da Marcia Mara, que veio de brinde na revista Página 9, do Rigon.
O total de toda aquela literatura foi de 15 barões, o que é um bom número, levando em consideração que livro de sebo é mais barato que de uma livraria.

Eu adoro o clima de sebo, aquela coisa nostálgica e tal. Livros raros, coisas que não se vêem mais por aí... (Tá, eu sei que agora o certo é "veem", mas eu adoro escrever "vêem). Não gosto de livros bonitinhos e branquinhos, como se nunca tivessem sido manuseados. Não que livro deva ser todo detonado, mas sinal de manuseio é sinal de que fora usado. E livro usado é sinal de aumento das capacidades mentais de um ser humano.

Desde pequeno meu pai sempre me levou a sebos. Lembro-me do Sebo do Eurides, lá no Água Verde, em Curitiba... Ah, quanta saudade! Toda e qualquer cidade que visitávamos, lá íamos procurar o tal do sebo. Até na praia, vejam só!

Mas então, voltando à história do sebo de Maringá... Logo na entrada dei de cara com "Novelas Exemplares", de Cervantes. Custava cincão. Uma boa aquisição, pensei. Mas, se fosse para levar um Cervantes, que fosse o Dom Quixote, né! Esse ainda falta na minha biblioteca.


Eu penso da seguinte forma: "Toda criança deve ter um Menino Maluquinho, e todo adulto deve ter um Dom Quixote". Ainda mais valendo-se da reunião dos maiores escritores do mundo que elegeu esse livro o melhor de todos os tempos, em 2002.
Achei esse livro, mas custava 30 reais, e eu só tinha direito a quinze e a minha carteira estava mais vazia que uma carteira vazia. O livro era lindo, mas o presente para mim fica pra próxima vez...

Pelas prateleiras, procurei por "Laranja Mecânica" e "A Divina Comédia". Não tinha.
Procurei por algum do H.P. Lovecraft, Ray Bradbury ou Isaac Azimov (gosto da literatura de terror e ficção científica), mas também não tinha.
O "Macunaíma" tava muito caro. Achei por lá o primeiro da coleção "O Senhor dos Anéis", que eu não curto, mas minha namorada adora. Só que custava vinte pila, então o presente para ela fica pra próxima vez.

Uma vez, num outro sebo aqui em Maringá, procurei por "Elogio da Loucura", de Erasmo. Também não tinha. No fim do ano passado, em São Paulo, entrei num sebo meio que sem querer. O atendente, com cara de hippie, filósofo, professor maluco e escritor, perguntou qual livro eu estava procurando, olhei para o balcão ao lado e lá estava, a obra do holandês Erasmo, piscando para mim.
- Quero este, quanto custa?
- Sete reais.
- Pago seis.
- Fechado.

Voltando mais uma vez para Maringá, continuei a procura por algum livro que chamasse a minha atenção. Passei por Agatha Christie e quase levei. Procurei por Jô Soares, mas não tinha. Paulo Coelho, apesar de ser o escritor vivo mais traduzido do mundo, eu não gosto. Tem pessoas que dizem que não gostam de Dan Brown por ele ser muito comercial, eu gosto. E outra coisa, qual autor não é comercial?
Quase levei, também, "A Odisséia", numa edição em prosa. Mas não me animou.
Procurei por "1984", que já li, mas é sempre bom ter um desses. Também não achei.

Pô, eu já estava quase indo para a seção das revistas Mad quando, de repente, algo chamou minha atenção: um livro grosso, capa dura, em bom estado. Parecia que o livro rugia para mim, um barulho meio pré-histórico. Foi aí que tirei aquele livro da prateleira e vi o que era. Se tratava de "O Parque dos Dinossauros", de Michael Crichton.



Sim! Eu que, durante toda a infância, fui fascinado por dinossauros, estava voltando às origens.
Voltando às origens minhas e do planeta Terra.
Eu que, em meados de 1994, fui o primeiro da fila para assistir ao filme, em Campo Mourão.

O livro custava dez mangos, com mais cinco do livro do Cervantes, fechou. Acertei a conta e fui pra casa com dois livros legais.

O livro é sensacional! Nas 473 páginas, mistura elementos da biotecnologia e da clonagem com mistério, ladrões de propriedade intelectual e, é claro, aqueles bichos que eu adorava quando era criança.

Enquanto eu lia, pensava: "Spielberg cagou em cima do livro".
Mas, como fica feio escrever isso aqui, vou dizer que "Spielberg estragou um clássico".
O filme é todo bonitinho, com um final bem Disneilândia. Mas o livro, não!

Aconselho aos leitores desse blogue "O Parque dos Dinossauros", ou "Parque Jurássico", como preferirem. Mas o livro, não o filme.

Agora, só me resta terminar esse livro e começar o do Cervantes. Depois, ler o do Erasmo e, por fim, começar o "Ficção de Polpa - vol. 2" (livro de contos de uma turma do Rio Grande do Sul).

Ah, esqueci de contar que não aceitaram o cd da Marcia Mara como troca. Então tive de trazê-lo de volta. Alguém quer? Troco por uma revista Mad.

OBS: Nesse sebo, o filme proibido da Xuxa custa R$ 100.

6 comentários:

Michele Matos disse...

Tbem gosto do Dan Brown...e nem ligo.
e quero ler o parque dos dinossauros!
=**

Leila disse...

Pq não comprou o Sr. dos Anéis? eu te dava o 5cao da diferença... hauehuaheuaheuaheuae

OBS: Eu q dei os 2 volumes de Ficção de Polpa. Merecia o Sr. dos Anéis, não merecia?

Gustavo T disse...

Ah, você tá falando do sebo da Herval. Eu bem que vi o filme proibido da Xuxa. Eles estão com a seguinte promoção: R$10 por 5 fitas VHS. Eu perguntei se todas estão na promoção, e me disseram que sim. Se eu fosse chato, chamaria o Procon e levava a fita por R$2.

Dom disse...

Dom Quixote
(ventoonde.blogspot.com):

Sem querer puxar para o meu lado. Mas o Cervantes é o cara..oh0o0ho0h

Boa leitura.

E tenha sempre um pouco do Dom Quixote dentro de você.

custela disse...

então vc vai me emprestar esse livro, certo (interrogação)
ok, fico esperando
valeu

Renê disse...

Poxa Finito, você me trouxe boas lembranças agora. Uma vez fui visitar teus pais em Curitiba e voltei com uma infinidade de livros e revistas de um sebo. Enquanto admirava seus conteúdos em um de seus quartos que me tinha sido designado, me veio uma tremenda alergia. Passei três dias espirrando sem parar. E cada vez que abria uma daquelas velhas revistas, minhas pálpebras ficavam ardendo e voltava aos espirros. Até que passados três anos me curei. E olha que eu já tinha N anos de experiência em sebos com o Renato. Essa semana entrei na página principal do Google, onde aparece "livros" e descobri (estupefacto e boquiaberto) a existência de sebos on-line. Além disso, aqui na Espanha já estao vendendo a 200 euros (600 reais), livros digitais com 500 títulos na memória. Parece uma tela de computador de 8", mas que nao emite luz e assim nao cansa a vista. Vejam só!