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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Seguro morreu da razão

Jéferson era um rapaz medroso.
Sua infância inteira fora marcada pelo medo incutido por seus pais.

Mesmo depois de adulto, ele continuou sendo um rapaz medroso, e nada o fez mudar de idéia. O único progresso em sua vida foi ter transformado esse medo incontrolável em uma certa prudência baseada na razão.

Jéferson perdeu seus amigos, pois uma simples rodada de pôquer e cerveja não era visto com bons olhos, já que a jogatina levava o homem à perdição. “Prudência nunca é demais.” - pensava.

Jéferson perdeu sua noiva, pois a alertava sobre todo tipo de perigo existente na cozinha de sua casa. O simples fato de cozinhar um almoço já era motivo para chamar a atenção de Jéssica várias vezes. "Cuidado com essa faca!”, “Você vai cair da cadeira...”, “Não! O gás, não!” - era o que gritava.

Certa feita, Jéssica, cansada do cuidado excessivo de Jéferson, desistiu do noivado e foi morar com a mãe. “Com esse cuidado todo, você ainda vai acabar morrendo de algo que nem imagina que seja possível acontecer.”
Jéferson não disse uma palavra.

No outro dia, de manhã, Jéferson saiu de casa, pronto para comprar o jornal. Ao se preparar para atravessar a rua, ele olhou para os dois lados, tendo na cabeça a idéia de que o trânsito matava muito mais que uma guerra. Com certa cautela, começou a travessia.

No meio do trajeto, um carro veio em sua direção e parou, esperando Jéferson terminar de atravessar. O rapaz agradeceu e limpou a mente de um possível atropelamento. “Ainda bem que sempre coloquei a razão na frente de qualquer outro sentimento.”

Nesse exato momento, uma gigantesca nave espacial pousou no meio da rua. De dentro dela desceu um extraterrestre, que tirou uma arma laser de dentro do paletó e atirou no peito de Jéferson.

2 comentários:

Autora Daisy disse...

Gostei. Estou amando conhecer escritores. Nossa!

O bom de tudo é que tudo nos encontra...
Beijo :)

Tiozaum disse...

boaaaaaa
ahaieuhaiuehiauhs