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domingo, 27 de janeiro de 2008

O Código do vinte - parte IV (o final)

O assassino passou a sentir raiva do detetive e vontade de humilhá-lo quando contratou seus serviços para apurar irregularidades no sistema financeiro da faculdade em que estudava e uma possível ligação do reitor – um dos homens mais influentes da cidade – com a conturbada eleição do prefeito corrupto. Um baralho de cartas marcadas. Como ele poderia saber que o detetive era parente do prefeito? O detetive o delatou ao reitor que acabou por cancelar o financiamento estudantil que o auxiliava.
Unir
o útil ao agradável fez com que ele se sentisse bem melhor naquele momento.
– Matei dois coelhos com uma cajadada só! - A humilhação e o fracasso do detetive frente às provas o faziam gargalhar.

- Q
ue idiota! Todas as pistas o trazia a mim. – pensou. - O corrimão. Quer apoio melhor que esse? Foi você mesmo quem escreveu o discurso de posse do prefeito: “Agora, somos todos um só. Seu apoio é a melhor recuperação da cidade”. Apoio e recuperação.

Se tivesse prestado atenção no discurso que escreveu, talvez tivesse pego o assassino.

Somente
três alunos ficaram de recuperação naquela matéria. O assassino era um deles. O único que o professor reprovou. Talvez por serem só três alunos, o detetive não se atentou ao fato de o assassino ser o número 20 da chamada.
- O número escrito no canto do papel, seu burro!

Se
o detetive fosse mais esperto e tivesse descoberto toda a verdade, também seria morto. Mas não foi preciso fazer nada. A ignorância poupou sua vida. O detetive subestimou muitas evidências. Foi até melhor para o assassino ver o detetive vivo, mas humilhado.
- E
a caneta na mão esquerda, nem isso o detetive conseguiu...

O
professor era destro. Então porque segurava a caneta com a mão esquerda? E a folha de papel com o nome de uma rua inexistente na cidade e o diabo desenhado? O detetive, apesar de ser um bom cinéfilo, assistiu aos filmes errados. Comédias e dramas nada ensinaram a ele. Qualquer um que goste de cinema de horror sabe que na Elm Street quem faz as vítimas é Freddie Krueger.
– Fred! Seu detetive estúpido!

A caneta na mão esquerda do professor faz dele um canhoto, outro nome pelo qual o diabo é chamado.
– O diabo nos leva a fazer maldades... – pensou. Bastava olhar na lista de chamada dos alunos: "Número 20 – Fred Gauchère". O detetive, que vive se gabando por ter morado alguns anos na França, onde fez um curso de aperfeiçoamento para policiais, agentes secretos e detetives, deveria saber que Gauchère é o equivalente em francês da palavra canhoto.

Epílogo

Deu em todos os jornais da cidade: “Nota fúnebre: professor se enforca em casa. A família e os amigos desconhecem o motivo”.
- O quarto poder. – pensa Fred. - Ah, nada como saber manipular uma notícia. – delicia-se o estudante de jornalismo, estagiário no principal jornal da cidade. Sabe ele que, após essa notícia, todos esquecerão o fato e tudo voltará a ser como era antes.
– A foto que eu escolhi não poderia ser melhor!

A ironia do destino. O homem com a face toda roxa, os olhos bem abertos e uma corda amarrada no pescoço. Um professor de fotojornalismo estampado na primeira página, em uma foto muito bem tirada por outro aluno seu, com as técnicas que ele mesmo ensinara.

2 comentários:

Tiozaum disse...

Orra finito!

ficou mto massa o conto kara
meus parabéns :D

vc é o kara :D

Anônimo disse...

É... Paulo César Boni que se cuide!!!

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Muito bom!