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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O Código do vinte - parte III (o que aconteceu)

Em sua casa, alguém pegou uma corda.
- Não é possível! – lamentava-se, sem deixar cair uma lágrima sequer.
Pudera, caíram tantas na noite anterior que não havia sobrado nenhuma gota.
Rumou
para o sobrado mais bonito da rua.

Certa
feita na faculdade, ele assistiu a uma palestra de um paparazzo que contava histórias e se vangloriava por sua profissão. As dicas de camuflagem caíram como uma luva naquele momento.
- Nada é melhor que ficar por horas no mesmo lugar esperando pelo momento certo. - pensava nas palavras do palestrante. – Sei que o final dessa história vai aliviar minha dor. – a dor em seu peito ficava cada vez mais forte. – O plano vai ser perfeito! Exatamente como previ. – pensou, analisando a fachada da casa.

Em ci
nco horas de espera, nada de mais aconteceu.
– Ah, como eu amo esse bairro residencial! Totalmente deserto. - Como se a caixa com todo o mal do mundo estivesse com ele, pronta para ser aberta.
– Pandora. – pensou.

Após tantas horas de espera, um carro parou em frente à casa, o portão se abriu e o carro entrou.
– Chegou a hora! – ele não sabia o que pensar. Não sabia se rezava. Não sabia se chorava. Mas não viera até ali para desistir. Es
perou o anoitecer.
– A rua deserta e totalmente escura vai me ajudar.

Se levantou cambaleando. A cãibra já não era mais problema. Abriu o portão, passou pelo jardim e tocou a campainha.
– Calma. É agora! – pensou.

Seu coração começou a bater mais rápido. Suas mãos começaram a suar. Suas pernas tremiam. A porta
se abriu.
– Olá, você por aqui? – perguntou o professor.
– Preciso conversar com você... – ele respondeu ao professor, que o deixou entrar.

Ele entrou na casa, esperou o professor se virar e agarrou seu pescoço. Fez tanta força com os dois polegares que quase esmagou sua garganta.
– Porque você fez aquilo? – gritava.
Mas ele não deixava o professor responder uma palavra sequer. Gemidos eram as únicas coisas que saíam daquela garganta arroxeada. Ele não agüentava mais fazer força e começou a chorar, mas não havia mais como parar. O homem já havia soltado todo o peso de seu corpo em suas mãos. Após a agonia, havia encontrado a paz, afinal.

Ele soltou o pescoço do homem, que caiu como chumbo sendo sugado pela gravidade.
– O tempo é curto! – pensou ajoelhado no chão e com a corda em mãos.
Ele
fez um nó no pescoço esmagado do professor e procurou por um lugar alto o bastante para pendurá-lo. Da sala, arrastou o homem pela corda até encontrar o lugar perfeito.
– A escada! – ele deu a volta pela lateral da escada e amarrou a outra ponta da corda no degrau mais alto que pôde alcançar.

Ficou admirando sua obra por um longo tempo. Aquele corpo pendurado pelo pescoço.
- A vingança é um prato que se come frio... – ele falou ao homem, como se esse o escutasse - mas pelo menos enche a barriga! – o professor pendurado não respondeu, mas o encarava nos olhos.
Nesse momento, o sentimento que invadiu o coração do assassino foi pena.

Ele saiu da casa, certificando-se que ninguém estava vendo.
- A rua escura é o melhor esconderijo. – pensou, jogando a corda no lixo. – Essa corda é maldita. Ajudou-me a matá-lo.

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