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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O Código do vinte - parte II

Toda a família fora chamada. Os amigos também. Quem tratou de chamá-los foi Fred Gauchère, um vizinho e aluno seu.

- Po
rque ele se enforcou? – era a dúvida corrente na sala naquele momento. Quem conhecia o professor, sabia que não havia motivos para cometer suicídio: tinha uma boa casa, uma boa vida e era cercado de amigos que gostavam dele.
- O que
é isso na mão dele? – perguntou a irmã do professor apontando para sua mão esquerda, enquanto enxugava as lágrimas.

Na mão
esquerda do homem enforcado tinha uma caneta esferográfica e na sua mão direita uma folha de papel que todos pensaram estar totalmente em branco. O irmão mais velho do professor chegou mais perto e tirou o papel da sua mão. Deu uma olhada e constatou não estar totalmente em branco. Parece que seu irmão havia escrito algo antes de se enfocar. Algo muito estranho que ele não conseguiu compreender. O irmão entregou o papel para Fred, que também não entendeu o seu conteúdo.
- Por
que o professor iria fazer isso antes de se enforcar? – Fred perguntou.
- "E
lm Street". – comentou o irmão do professor, se referindo ao que estava escrito no papel. - Também tem um desenho.
- Q
ue desenho? – perguntou a sua irmã.

Fred
abaixou a cabeça e entregou o papel a ela, que se assustou com o desenho de um diabo no papel.

- E
esse número aqui? – perguntou um outro aluno do professor, apontando para um número no canto superior esquerdo da folha de papel. Todos na sala emudeceram. Não havia o que comentar. Não havia som algum que fizesse a dor da perda passar. Apesar de ateus, os parentes do professor sabiam que o suicídio é contra as leis divinas e que aquele desenho no papel não era brincadeira.
- Não
é isso o que mais me preocupa... – a maior dúvida do irmão do professor. – Porque ele escreveu tudo isso com a mão esquerda?
- É
verdade! Ele era destro... – disse a irmã.

Fred pegou o papel de volta e disse:
- Olha
, sei que a situação agora é de total tristeza, mas acho que vocês deviam contratar um detetive para decifrar esse recado do papel. Essa rua e esse número podem significar alguma coisa.

Os
parentes voltaram o olhar a Fred. Nunca passou pelas suas cabeças uma tragédia como aquela com seu irmão. Agora tinham de se preocupar em descobrir o que ele quisera dizer com a mensagem que deixara.
- Eu
conheço um detetive que pode fazer esse serviço. – continuou Fred.

Depois
de muita discussão, a família do professor concordou com a idéia de Fred em entrar em contato com o tal detetive. O aluno, que já havia contratado seus serviços, escreveu o endereço dele num pedaço de papel e entregou para o irmão, que começou a chorar:
- Vamos! Vamos nos encontrar com esse detetive para resolver isso. Deixemos Fred cuidando da casa.

No
outro dia, deu em todos os jornais da cidade: “Nota fúnebre: professor se enforca em casa. A família e os amigos desconhecem o motivo”.
- A
primeira coisa que vocês deveriam ter feito é ter usado discrição. – comentou o detetive. – Essa notícia vai atrapalhar a investigação.

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