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sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Os sem-terra de Plutão

Em 1930, um cara legal, mas um cara legal mesmo(!), apontou sua luneta para um ponto no espaço e acabou descobrindo um planeta. Um planeta bonito que, em homenagem ao pai de um cachorro muito sabido dos desenhos animados, recebeu o nome de Plutão.

Taí um cara que era incrivelmente legal. A sua descoberta fez com que todos pudessem viver felizes para sempre.


Sua massa é de (1.305±0.007)×1022 kg. Tá gordinho, hein?


Plutão era o menor planeta do Sistema Solar. O mais bonitinho, o mais engraçadinho e, sinceramente, era muito simpático. Ele ficava lá, girando em torno de sua própria órbita. Sem encher o saco de ninguém.

Mas, de repente, em 2006, um grupo de cientistas desocupados, membros da União Astronômica Internacional, resolveu, de uma hora pra outra, que Plutão não seria mais um planeta. E, como de praxe, nenhum terráqueo se importou com a notícia.

Tsunami? Resolvemos.
Terremoto? Resolvemos.
Show do Los Hermanos? Tapamos os ouvidos.

Agora, achar uma solução para a identidade de Plutão ninguém quer.

Essa algazarra toda mexeu com a comunidade científica, mexeu com a astronomia e mexeu, principalmente, com a astrologia. Mãe Dinah deve estar possessa!

Certa feita, conheci uma garota toda mística, cujo signo era regido por Plutão. Conversamos bastante, e tudo estava caminhando para algo sensacional entre a gente. Eu sentia que uma bonita relação estava nascendo. Daí, quando tiveram a idéia de rebaixar Plutão à categoria de “simples pedra perambulando pelo espaço”, acabando com a alegria dos plutanianos de plantão, a garota parou de sair comigo. Quando ela, finalmente, atendeu minha ligação, contou que sua vida não fazia mais sentido. E continuou: “Quando Plutão se alinhava com a Terra, a sorte estava comigo e eu sabia que íamos viver felizes para sempre. Agora, não. Ando com um azar tremendo. Tudo porque Plutão só queria ser respeitado dentro do seu próprio território”.

Agora quero chegar ao ponto crítico: o que vai acontecer aos apátridas, ex-moradores de Plutão?

Escrevam o que estou dizendo: um dia, uma nave espacial vinda de lá vai aterrissar na Terra, cheia de sem-terras (digo, cheia de sem-plutões). Depois não adianta pôr a culpa no presidente.

Um comentário:

dayse disse...

Cara,vc é um gênio!Adorei.haushaushaushaus