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segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O panfleteiro esdrúxulo em favor das caixas de correio

Enquanto o emprego tão almejado não aparece, o ser humano tem de se virar como pode. E eu, como um belo espécime de uma raça baseada em carbono, não fico para trás. O negócio é ganhar dinheiro, não importa como.

Fazendo jus da minha alcunha de "irmão de empresário do ramo pizzaiolístico", só me restou uma direção nesta terra de oportunidades: entregador de panfletos. E lá fomos nós, meu irmão Rodrigo (que na foto abaixo, aparece travestido de "Seu Madruga", ídolo-mor de dez entre dez pizzaiolos de todo o mundo) e eu, felizes e tranquilos, saltitando com uma gorda mochila nas costas.


Só não te dou outra porque...


Escolhemos umas ruas um pouco mais afastadas de onde costumavam panfletar, pois o nosso desejo é arrebanhar mais clientes que o Edir Macedo em época de descarrego. Sob o sol escaldante em pleno inverno (é o aquecimento global, gente), começamos nossa empreitada serenos. E, numericamente, nos organizamos. Eu na parte da direita, ele na esquerda da rua. Se existisse uma hierarquia no ramo dos panfleteiros, ele seria o meu chefe, pois o presidente é de esquerda, ele escreve com a mão esquerda e, (pasmem!) eu também. Mas isso não tem nada a ver com essa história.



(foto meramente ilustrativa)


Durante todo o meu trajeto pelos mais variados tipos de residência que a mente humana pode arquitetar, pude perceber uma coisa crucial para a sobrevivência, mas uma coisa muito crucial mesmo: ninguém tá nem aí pra caixa de correio. Pude observar vários casarões e várias casinhas humildes, mas até mesmo as casas mais sorridentes tinham a manutenção da caixa de correio mantida em segundo plano. Digo e repito: ninguém tá nem aí pra caixa de correio. Podemos perceber um belo exemplo do que eu disse nessa foto abaixo. A caixa não só estava com as molas enferrujadas, como fez o favor de prender meus dedos e, por conta disso, fiquei muito machucado durante algumas horas.

Caixa de correio: você dá uma mão, ela quer seu braço!
Um pouco depois de passado o susto e quase ter a mão decepada por algo que deveria servir ao homem, me deparei com um casarão muito bonito, todo joiado. Caracash, merrmão!, diria um carioca. Pensei cá com meus botões, essa casa sim, vai ser legal colocar um panfleto. Eu imaginava a casa recebendo um panfleto com todo o respeito que ele merece, fazendo-o cair numa superfície almofadada e especial. Mas, qual foi a minha surpresa? O panfleto não pôde cair alegremente porque não tinha superfície almofadada. Muito menos tinha uma caixa de correio.

Uma casa sem a menor educação...

Saí um tanto quanto aborrecido por essa falta de vergonha na cara. Onde já se viu? Será que o mundo enlouqueceu? Parece que sim. Olhe, querido(a) leitor(a), a imagem abaixo é extremamente nauseante. Um verdadeiro atentado às boas maneiras. Alguém que não tem o pingo de consideração pela classe dos entregadores (carteiros ou panfleteiros) preferiu homenagear alguém sem a menor importância até mesmo para o ser vivo mais insignificante da Via Láctea do que colocar um bonito exemplar de uma caixa de correios. Por favor, tirem as crianças da sala!

Sem comentários
Achei que meu dia tinha terminado ali. Depois de terminada a rua e a tristeza estampada em meu rosto queimado pelo sol forte do inverno (é o aquecimento global, gente), cabisbaixo e pensabundo sobre as interpéries da vida, decidi sentar-me um pouco, afim de poder respirar mais aliviado. Eis que olho para a próxima rua e vejo algo que me fez sorrir de orelha a orelha, até sentir o gosto da cera do ouvido. Eu a vi. Lá estava, toda brilhante. Rebatia a luz do sol com uma beleza estonteante, tal qual Sula Miranda, a musa dos caminhoneiros. Me levantei devagar e, não acreditando no que via, fui até ela. Parei, olhei e chorei emocionado. Meu dia estava a salvo!

Depois de me encontrar com o mais belo exemplar de uma caixa de correio, pude, enfim, chegar em casa e deliciar um almoço inesquecível.
Caixas de correio, muito obrigado por existirem!

3 comentários:

Cristina Barroca disse...

Você se esqueceu de dar entrelinhamento no segundo parágrafo. :P

Ainda não li tudo. Estou meio ocupadinha. Mas prometo fazê-lo e comentar de novo. Pra serem 2 milhões de comentários legais. E não apenas 1 milhão. =)

Ah! E você que é um "copiúdo" ouquei? Minha conserva de pepinos ficou muito tempo no vinagre até dar o ponto certo. E acho que tás mofando por falta de postagens já. hahaha...

Valeus! Volte sempre.

tatiana disse...

Pois é... Nunca havia parado para penar na importância desse tão singelo objeto. MAs mais singelo ainda é a caixa de correio de Papai Noel. É uma casinha, toda artesanal, com os dizeres: CArtas para o Papai Noel... Hehehe Nessa vc ia ter até gosto de colocar um panfleto... Por fim, concordo com Cristina. Vc é um "copiúdo"!!!!
Copiou os "milhões de comentários". E pelo visto, não foi só isso! HEheh
Bjus

Thiago Alonso disse...

"pensabundo" é quando vc pensa coa bunda?

combina mesmo com jornalismo de merda.

mas se vc quer ser um jornalista de merda, vai fazer gonzo num puteiro, magro!