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sexta-feira, 27 de julho de 2007

Rock argentino... Dá pra encarar?

Na incessante busca por novas aventuras dentro da incontestável Cidade Canção, eu, a Leila e a Fabe partimos na sexta-feira (dia 20) exatamente às 23h30 rumo ao Tribos Bar, o único reduto etílico da cidade onde ainda se respeita o bom e velho rock 'n roll sem firulas. Ao chegarmos no local, eu, com a indumentária típica de programas como esse (calça jeans e uma camiseta preta com uma enorme caveira desenhada), a Fabe (recém-saída da pós, portanto, trajando roupa de pós-graduanda) e a Leila, de cor-de-rosa, entregamos para os dois seguranças fortemente armados com braços da grossura do meu pescoço nossas passagens para o sensacional mundo da música mais pesada que o ar.

Ao entrarmos no recinto, fomos direto ao bar, onde estava rolando uma banda de hardrock de Londrina. Chegamos meio tarde, lá pela meia-noite, e só depois ficamos sabendo que a bagaça tinha começado às 22h. Mas sem problemas, tudo pelo rock 'n roll. A grande atração da noite ainda estava por vir.




Eu e a Leila num dia qualquer. Abaixo, a Fabe, triste por não aparecer nesta foto.

A banda de Londrina era boa, com som próprio e algumas covers. O pessoal batia os pés acompanhando o som. Os headbangers não faziam outra coisa além de chacoalhar a cabeça. Durante um cover do Pantera, ânimos se exaltaram e correram em frente ao palco afim de erguer seus braços e levantar os dedos mindinho e o indicador. Mas não deu outra. A cover unânime, aquele que fez o Tribos Bar chacoalhar as cabeças, foi Metallica. Aqueles riffs de guitarra no início de Seek and Destroy não deixa dúvidas: se você tem uma banda, toque uma cover do Metallica, vai ver como funciona!

De repente, sentado num banquinho do bar, um loiro de black power (?) assiste à apresentação dos londrinenses. Comento com a Leila que achei o cara estiloso. Afinal de contas, quem, em sã consciência, é loiro e usa black power? Ela olhou para o rapaz e, com um certo desdém, desdenhou-o, assim como fazem os desdenhosos. Eu apenas voltei meu olhar para o palco e virei mais um gole.
Depois de um repertório de músicas de ótimo calibre, a banda cessou o expediente. Pausa para o descanso merecido dos chacoalhadores de cabeça de plantão.
Fomos para a área descoberta do recinto e nos espreguiçamos em três cadeiras e uma bela duma cerveja em cima da mesa. Quer mais o que? Pô, a banda tocou Seek and Destroy! Eu nunca tinha visto alguém tocar aquilo idêntico ao Kirk Hammet. Bem, pra falar a verdade, nunca vi nem o próprio Kirk Hammet tocar. Não seria uma boa pedida? Metallica no Tribos?
De repente, a aglomeração dos jovens de volta ao palco só significava uma coisa: o show da banda principal. Uma tal de Vudú. Nunca vi mais gordo. Uma banda argentina, diretamente de Rosário. Rosário pra mim tinha dois significados, até então: Um, o mesmo que terço. Utilizado muito por minha querida vozinha em suas andanças pela igreja católica. Dois, cidade onde nasceu Che, o Ernesto. Bem, acertei a opção número dois, pelo menos. Rosário é a cidade de onde veio essa banda que já chegou chegando.
O guitarrista e o baixista duelam fantasticamente já na primeira música, querendo ver quem é o melhor músico entre os dois, e os dois empatam. O batera, lá atrás, concentrado nas suas lides, maneja as baquetas como se fossem extensões de seus braços. Mas, a melhor parte estava pra vir...
De repente, sobe no palco um ser de outro planeta. Um loiro de black power. Sim! Aquele mesmo ser desdenhado anteriormente pela minha namorada era o tal do vocalista. O cara solta o vozeirão e... Peraí! Eu conheço essa voz! É... hummm, a cerveja na veia não me deixa lembrar... Ahá! Lembrei! Robert Plant? Não... era o tal loiro de black power mesmo... Porra, como canta igualzinho!
Umas cinco ou seis músicas depois, hardrock ao melhor estilo setentão, Ike, o loiro black power, anuncia uma cover. Pensei cá com meus botões. Bem, não tinha botões no momento, então pensei com a caveira na minha camiseta: "Lá vem mais Metallica!". Mas não, ele grita a plenos pulmões um grande sucesso do AC/DC. O guitarrista começa a música e é interrompido: "No, esta no!", diz Ike, empolgado com o "Ahhhh", que a galera gritou em uníssono. Riffs de Back in Black. Geral se animou, como diria um carioca. "No, esta también no!", de novo, Ike corta o barato. Desânimo total novamente. Mas ânimos retornam ao ouvir o cara cantar a tal cover. Além de cantar como o vocalista do Led Zeppelin, a voz dele soa como Brian Johnson, do AC/DC. Não deu outra. Nessa noite, descobri que quero formar uma banda com covers de Metallica e AC/DC.
Findo o espetáculo, o palco foi invadido pela horda de novos fãs arrebatados pela banda. E tiram fotos com o batera, e tiram fotos com todos os integrantes. Eis que minha namorada, Leila, vira-se pra mim e diz: "Vamos comprar o CD!". Concordei com um sorriso de orelha a orelha. Fui até o guitarrista e soltei meu espanhol invejável: "Oyga! Donde encuentro lo cd?" Ele disse que ia ao camarim buscar um e trazia para nosotros. Esperamos e eis que ele surge com o disco na mão. Pedimos para autografá-lo e Willy, o guitarrista, escreve algumas palavras com sua letra de médico e me presenteia com sua palheta customizada com o nome da banda. Só não vimos mais o vocalista. Vai ver levou uma groupie maringaense para o seu planeta natal.
Detalhe do cd autografado por Willy, el guitarrista y Nahuel, maestro del bajo.
Fomos embora eu, a Leila e a Fabe, felizes da vida. Afinal de contas, não é todo dia que tiramos o chapéu para alguns argentinos, que, em se tratando de rock 'n roll, fazem muito bem.
E VIVA O PELÉ!

4 comentários:

Rico Zaraki disse...

esqueceu de falar q o vocalista eh da mesma raça q o sideshoiw Bob...
[]s

Finito Carneiro disse...

huahuauha... é mesmo!!

Tiozaum disse...

ahuauhauha
sensacional!!!

abraçao

Sérgio disse...

Eu fui nesse show