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segunda-feira, 25 de junho de 2007

O Rei Subversivo

Entrando na onda dos grandes mestres que fazem verdadeiros tratados antropológicos da vida musical de seus ídolos, também deixo aqui minha análise profunda e completamente sem fundamento de algumas obras da extensa discografia de um dos maiores pernas-de-pau (no futebol) que o Brasil já teve em três atos:

Ato I – A apresentação

Sim! O Brasil tem um rei. E, melhor ainda: um rei subversivo. Um rei que deixa o jovem transviado James Dean no chinelo. Bem, não é aquela coisa toda meio Proudhon, muito menos com um pé nas idéias mais corrosivas da dupla Raul Seixas e Paulo Coelho, mas dá pro gasto.

Tá. Vou deixar de lenga-lenga e explicar qual é a dessa matéria de cunho científico-musical-esdrúxulo-pra-ninguém-botar-defeito. Primeiro, apresentar-lhes-ei o personagem. O sujeito em questão é ninguém mais ninguém menos que o grande rei da Jovem Guarda. Com vocês, o excelentíssimo senhor chefe de Governo e Estado Vossa Majestade o rei Roberto Carlos! (aplausos)

(É uma brasa, mora?)

É o grande senhor das músicas românticas. Aquele que ainda deixa muitas senhoras caidinhas de amor. Aquele mesmo que faz os homens morrerem de inveja por sua facilidade com as palavras mais bonitas que existem no Aurélio. Mas não se enganem com a aparência. Por favor, não julguem um livro pela capa. Por que por trás dessa imagem de bom moço (bom ancião, que seja) existe uma alma tão malvada, mas tão malvada que é capaz de fazer com que um simples pedido se transforme em uma horrível ordem, como na canção E que tudo mais vá pro inferno. Nessa mesma canção ele deixa bem claro que não está nem aí para as questões sociais da vida, como podemos ver no seu refrão:

Só quero que você me aqueça nesse inverno
E que tudo mais vá pro inferno!


Como assim? Não quer saber de nada mais? Será que ele só pensa no proveito próprio? Sem falar que ele quer que tudo vá para o inferno.

O inferno? Um lugar onde o pior cara do mundo, cuja ira se apossou de sua pessoa até suas entranhas não ousaria mandar seu pior inimigo.

Ah! Acho que o sucesso subiu tanto à cabeça de Roberto que ele não consegue enxergar o valor das pequenas coisas. Parece que ele odeia a simplicidade de um raio de sol. Não sabe aproveitar as coisas boas, e grátis, que a vida nos oferece, sempre questionando a força da natureza:

De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar?


Dessa frase infeliz, chegamos à triste conclusão de que para o seu Robertinho, o céu não é o limite e o sol não passa apenas de uma bola de bilhar gigantesca e pirofágica.

Ato II – A selvageria chega ao ápice


Mas é claro que as atitudes subversivas e de extremo mau gosto de Roberto não acabam por aí. Ele também chega ao cúmulo de passar ensinamentos nada ortodoxos aos menos afortunados intelectualmente.
A bela canção É proibido fumar inconscientemente nos leva a crer que é uma música anti-tabagista, uma música que celebra a boa saúde dos pulmões da galera de plantão.
É aí que a galera se engana. O fato é que, em certo momento da música, Roberto canta, todo serelepe:

Mas nem adianta o aviso olhar
Pois a brasa aqui agora eu vou mandar.
Nem bombeiro pode apagar!


O que ele quer ensinar com isso? Que o respeito à lei é coisa de tolos.
Chega de sermos bonzinhos! Vamos todos à forra! Ninguém é de ninguém!
E ele continua, sempre na mesma cadência de quem, certo dia, ousou falar de amor.

Sigo incendiando bem contente e feliz
Nunca respeitando o aviso que diz: é proibido fumar!


Mas a coisa não é bem assim, seu Robertinho. Além de dar trabalho aos bombeiros, ele ainda quer botar fogo em seu corpo e sair incendiando bem contente e feliz. Mal sabe ele que o fogo em contato com a pele não faz nada mais além de, doer.

Sim! Dói muito!

E, até hoje, não existe um relato sequer em nenhum veículo de comunicação de que um ser ateou fogo em seu próprio corpo e saiu incendiando bem contente e feliz.
Mas, infelizmente, é essa a idéia que ele passa em sua obra.
A canção Eu sou terrível mostra apenas um rapaz latino-americano indignado com a situação. Algo como um descontentamento, uma birra de adolescente. Mas o buraco é muito mais embaixo. Logo no início da música, ele canta:

Eu sou terrível
E é bom parar
De, desse jeito
Me provocar


Assim, Roberto deixa bem claro que sai mesmo é para arranjar uma boa briga. Ou seja, ou o cara (ou a mina) pára de provocá-lo, ou ele parte pra cima, pois ele é terrível (repete onze vezes).
Na parte da música abaixo citada, ele canta frases que desdenha as condições sociais mais baixas de qualquer cidadão que paga seus impostos em dia:


Você não sabe de onde eu venho
O que eu sou, e o que tenho
Eu sou terrível!

(Substitua essas frases acima por: “Você sabe com quem tá falando?”)Para terminar essa profunda e triste análise da música Eu sou terrível, organizamos exemplos perfeitos de:


Falta de humildade: Estou com a razão no que digo, não tenho medo nem do perigo! 
Má influência: Garota que andar do meu lado, vai ver que eu ando mesmo apressado! 
Falta de faculdades mentais: Não é preciso nem avião, eu vôo mesmo aqui no chão. (Voar no chão?) 
Pornografia: Minha caranga é maquina quente!Terribilidade: Eu sou terrível! Eu sou terrível! Eu sou terrível! Eu sou terrível!

Ele, que vive proferindo a tremenda frase “O meu amigo e irmão camarada, blá blá blá”, é um tremendo de um demagogo. Podemos perceber sua hipocrisia na música Namoradinha de um amigo meu, onde ele exibe uma tremenda falta de camaradagem.
Sem contar o desapego religioso ao demonstrar uma vergonhosa falta de respeito ao sétimo Mandamento.

Ato III - Causa de acidentes

Hoje em dia é tão comum ver jovens enchendo a cara e dirigindo sem preocupação alguma com a segurança. Mas esse fenômeno é explicável e se chama Síndrome de Roberto Carlos, o eterno rei da Jovem Guarda.
Mas não vou gastar o vosso precioso tempo citando milhares de canções desse contraventor da justiça e da lei. Para fechar com chave de ouro esse relatório da subversão robertocarliana, só resta-me provar-lhes com quatro canções a inconseqüência do cantor Roberto Carlos baseada no Novo Código de Trânsito:

Música: “Parei na contramão”
Motivo: Parar o automóvel em via de contramão
Infração: média
Pontos perdidos: 4 pontos
Multa: R$ 85,13.

Música: “O Calhambeque” 
Motivo: Uso inadequado da buzina
Parte onde se encontra a infração: ”Bip-tum-bip-tum-biptururu”Infração: leve
Pontos perdidos: 3 pontos
Multa: R$ 53,20.


Música: “Eu sou terrível”
Motivo: Prática de racha
Parte onde se encontra a infração: “Não vai ser mole me acompanhar”Infração: gravíssima
Pontos perdidos: 7 pontos
Multa: R$ 574,62 + apreensão do veículo

Música: “120...150...200km por hora” 
Motivo: Dirigir sem atenção ou sem os cuidados indispensáveis à segurança
Parte onde se encontra a infração: “Vou parar de pensar em você pra prestar atenção na estrada”Infração: leve
Pontos perdidos: 3 pontos
Multa: R$ 53,20


Total de toda a punjância automobilística: 17 pontos perdidos na carteira, apreensão do veículo e mais a fortuna de R$ 766,15.

OBS pertinente: Só não achei infração por embriaguez porque na época ainda não tinham inventado o Zeca Pagodinho.

Um comentário:

Muni disse...

JURO...VC TEM PROBLEMA!MAS EU ADORO....OTIMOS TEXTOS...ADOREI